Quarentena e vacina não colocarão fim à pandemia, afirma Terra

FEDERASUL ouviu o ex-ministro da Saúde, Osmar Terra, e o médico infectologista, Ricardo Zimerman. O Tá na Mesa virtual debateu os erros e acertos no combate ao novo coronavírus

REPRODUÇÃO/FACEBOOK

Achatamento da curva; platô pandêmico; uso máscaras; lavar as mãos; evitar aglomerações; lockdown; coronavírus e COVID-19. Termos corriqueiros no nosso dia a dia que há quase dez meses convive com um inimigo invisível chamado (SarsCov-2), o coronavírus. Presente em território nacional desde a segunda quinzena de março de 2020, o surto pandêmico surgido em Wuhan, na China, chegou ao Brasil, propiciando inúmeras ações de cunho político e ideológico, que acabaram por fulminar setores e colapsar a economia gaúcha e brasileira.

No Rio Grande do Sul, que adotou um dos sistemas de restrição social mais duros dentre as Unidades Federativas (sistemática de bandeiras), acabou por auxiliar no esfacelamento dos negócios que já vinham de um ano muito difícil. O RS teve suas atividades produtivas abruptamente interrompidas, sem diálogo com a classe empresarial, lideranças e a sociedade civil. Com a adoção muito prematura do isolamento vertical, com cerca de cinco casos a cada cem mil habitantes, negócios e sonhos foram destroçados e o vírus não foi derrotado.  

A FEDERASUL decidiu fazer um balanço deste período de exceção na Live Tá na Mesa desta quarta (21). Convidou dois especialistas em pandemias e que, desde o início, contrariaram e repudiaram os protocolos defendidos pelo Ministério da Saúde e implementados pela Secretaria Estadual da Saúde. O painel “COVID 19: erros e acerto” ouviu o ex-ministro da Saúde e ex-secretário, Osmar Terra, e o médico infectologista Ricardo Zimerman, além dos vice-presidentes da FEDERASUL, Rafael Goelzer, e Rodrigo Sousa Costa.

A presidente Simone Leite reconheceu a importância das informações trazidas anteriormente pelos médicos e afirmou que “há e houve muitos pontos de convergência e divergência. Tivemos as atividades comerciais, industriais e de serviços completamente impedidas de seguir. Sabemos que a vida não tem preço, mas é impossível desvincular saúde de economia. A diferença do veneno e do remédio é a dose, e o que o Governo fez foi matar toda a economia, seja pelo fechamento de empresas ou pelo aumento do desemprego e fome”, reiterou Simone.

Na Live, Terra apresentou inúmeros gráficos do cenário da Pandemia a nível global, bem como os números de mortos, infectados e comparativos diversos. Para o deputado federal a questão de exposição, caracterizada por locais turísticos, grandes centros comerciais/industriais ou de alta densidade populacional, tem maior número de casos. Ele ilustrou com duas situações: Uganda, no continente africano e o Uruguai. Nesses dois locais os registros alcançaram pouco mais de 10 mil casos no país africano, e quase três mil em território uruguaio. Óbitos em Uganda, segundo o estudo, é de 97 vítimas. “O RS e o Brasil estão no fim da pandemia. Acabar com uma pandemia não está atrelado a uma vacina, mas com a chamada imunização de rebanho ou imunização coletiva”, disse Osmar.

Ele também alertou para a aprovação e aplicação de quaisquer tipos de vacina. “O percurso e as etapas de uma vacina, desde a pesquisa até a aplicação, leva um longo trajeto. É preciso fazer muitos testes. Não a toque de caixa, como estão fazendo os imunizantes contra a COVID-19. Epidemia se enfrenta com ciência, não com estudos fracassados como o do Imperial College”, enfatizou Terra.

O médico Ricardo Zimerman definiu o lockdown como o maior e principal erro adotado pelos países, e também pelo Estado. O raciocínio dele é que o ambiente residencial é propenso a infecções, principalmente do SarsCov-2. Ele também defendeu a utilização de protocolos com fármacos, de modo precoce. Disse que o lockdownmatará muitos não apenas pelo vírus, mas pela fome”. Zimerman concordou com Terra, no quesito da segurança das vacinas, que para ele é considerado como a maior conquista da medicina moderna. “Em média uma vacina pode ficar apta para aplicação em 15 anos. São muitas etapas que precisam comprovar a eficácia e os efeitos disso na saúde humana”, disse.  

ACERTOS EM CIMA DE ERROS

Foi com essas palavras que o vice-presidente de Integração da FEDERASUL, Rafael Goelzer, descreveu o atual momento de reabertura das atividades no RS. Já o vice-presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa Costa, criticou e comparou o atual momento com os mais sombrios da história da humanidade, de idos do século XV e da Inquisição. “Foram adotadas atitudes incoerentes e desconexas que tiraram do povo o direito ao contraditório. O que vivemos foi a adesão à pseudociência, onde a ideologia fala mais alto, e a intransigência e arbitrariedade a regra”, enfatizou.

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PUBLICADO EM: 21 de outubro de 2020