Ele sim, Ele não…

Artigo da presidente da Federasul, Simone Leite

Com o recente desgaste entre militares e olavistas recordei o contexto que me fez abrir o voto para Bolsonaro ainda antes do primeiro turno.

Como presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul- Federasul, participava de um evento festivo de comemoração dos 174 anos da Câmara de Comércio do Rio Grande, às vésperas da manifestação feminina do “Ele Não” e pouco após o atentado a vida do candidato, quando percebi que a gravidade do momento pelo qual passava o Brasil, não permitia que as lideranças se omitissem por questões protocolares.

Foi uma decisão difícil porque eu era também vice-presidente estadual de um partido com a senadora Ana Amélia, uma amiga que admiro, candidata à vice-presidente da República na chapa de Geraldo Alckmim.

Ponderei o que estava em jogo: de um lado um segundo turno de Alckmin versus Haddad, com o risco do Brasil caminhar para a convulsão social aos moldes venezuelanos; o custo para o Brasil da perpetuação deste modelo político vigente e o sofrimento da classe produtiva.

Do outro lado uma aposta arriscada, uma proposição de romper com o modelo vigente, falar a verdade mesmo perdendo votos, um norte apontado para disciplina, o respeito ao trabalho e a busca por excelência, com um general na vice-presidência trazendo a credibilidade das Forças Armadas, uma instituição que se manteve idônea em tempos tão corruptos.

Entre o sentimento de lealdade as minhas amizades pessoais e o sentimento de dever para com o meu País, prevaleceu o segundo, com a certeza de que amizades sinceras respeitam divergências.

Bolsonaro foi eleito e em 2019, em meio a tantas expectativas, foi uma grata surpresa quando o presidente nomeou sua equipe de ministros. Nomes do porte de Sérgio Moro, Paulo Guedes, Augusto Heleno, Santos Cruz, reconhecidos internacionalmente, entre outros com uma bagagem de conhecimento e serviços prestados.

Um time com muitos talentos que rapidamente definiu o rumo, rompendo com o mundo do faz de conta e propondo o enfrentamento dos grandes problemas estruturais.

Está claro, por mais doloroso que seja, que precisamos enfrentar os prejuízos acumulados por governos populistas. Devemos garantir as aposentadorias dos mais pobres retirando privilégios dos mais ricos pela Reforma da Previdência, porque somente assim conseguiremos voltar a crescer, acabar com o desemprego e criar oportunidades para todos.

Finalmente o governo tem a coragem de falar sobre a revisão do Pacto Federativo, de dizer que precisamos de mais Brasil e menos Brasília, com a maior parte do dinheiro voltando para os municípios onde vivem os cidadãos, mas que para isto precisamos reequilibrar as contas públicas.

Surge uma proposta de reforma penal para reduzir drasticamente o sentimento de impunidade. Uma sociedade hoje incrédula, diante dos argumentos legais que rapidamente soltam assassinos e corruptos, poderá voltar a ter fé na justiça.

Promulgam-se leis que libertam o empreendedorismo das amarras da burocracia, que passam a valorizar a iniciativa de pequenas empresas, de jovens que se arriscam na incerteza do mercado, ao invés de buscar a estabilidade de um concurso público.

Naquela noite em que fiz um discurso inflamado para que homens e mulheres de bem se posicionassem, estava mais preocupada com a iminência do caos, sem a percepção da enorme janela de oportunidades que se abriria para o País em 2019.

Todos sabemos que os desafios serão enormes porque teremos resistências do sistema político vigente, porém já é possível vislumbrar o cenário que poderíamos ter no Brasil se conseguíssemos aprovar a Reforma da Previdência, as mudanças na lei Penal, a simplificação tributária, a revisão do Pacto Federativo, a redução da burocracia.

O Brasil voltaria a ser um lugar seguro para viver, trabalhar e produzir, o mundo passaria a enxergar o País como um mar de oportunidades para negócios, parcerias público-privadas, obras de infraestrutura. Nossos jovens deixariam de enxergar a Universidade como uma ponte para um concurso público e passariam a ser desafiados pelas oportunidades de empreender, crescer e gerar empregos. Um País muito mais justo pode estar logo ali na frente… mas a instabilidade está revertendo as expectativas de quem faz a economia acontecer.

Hoje, junto com milhões de brasileiros que elegeram Bolsonaro e outros tantos que torcem por um país melhor, estou com o coração na mão. Vejo um projeto colocado em risco por assunto secundário, de um Senhor que nem mora mais aqui mas que insiste em fazer ataques a membros do primeiro escalão do governo. Um senhor que se comunica por palavrões e cujas declarações não teriam qualquer eco se não estivesse tendo sua postura premiada pela medalha do Rio Branco.

Estou com o coração na mão fazendo um exercício de empatia com cada uma das vítimas dos ataques deste Senhor. Rezando para que o senso de dever para com o país seja maior do que a dor pela dignidade atingida. Torcendo para que o governo não se enfraqueça perdendo seus craques, apontando o norte para uma agenda de costumes e esquecendo a enorme janela que se abriu para consertar o país.

O presidente, com sua humildade espontânea, terá que enfrentar decisões difíceis contra egos, vaidades ou pessoas que colocam seus projetos pessoais acima de um projeto de Brasil. Ponderar seu sentimento de lealdade versus uma “amizade” que desconsidera as escolhas e manifestações presidenciais em sucessivos ataques.

Tenho fé de que o presidente Bolsonaro, por tudo que passou com os milhões de brasileiros que o trouxeram até aqui, terá a mesma sabedoria que teve na escolha de seu time de talentos para terminar com este desrespeito ao quadro de ministros, à vice-presidência da República e ao presidente eleito do Brasil.

Com fé e determinação encontraremos o Brasil que queremos.