Setores de celulose e calçados falam sobre enfrentamento à crise

Live Tá na Mesa recebeu os conselheiros da Irani Celulose, Péricles Pereira Druck, e Marlin Kohlrausch, da Bibi Calçados

 

Com a recente divulgação do maior tombo no PIB brasileiro já registrado (-9,7%), os impactos da pandemia na economia nacional começam a expor os danos e as dificuldades em diversos setores e mercados no mundo inteiro. O vice-presidente da FEDERASUL, Anderson Cardoso, recebeu nesta quarta (02) os empresários Péricles Pereira Druck, presidente do Conselho de Administração da Irani Celulose, e Marlin Kohlrausch, presidente do Conselho Consultivo da Bibi Calçados. Ambas as empresas são referências em seus setores de atuação e possuem história consolidada e importância às economias gaúcha e brasileira.

Às vésperas de completar 80 anos de fundação, em 2021, a Irani Celulose, que há mais de 25 anos é controlada pelo Grupo Habitasul, detalhou algumas ações tomadas pela empresa, que atualmente exporta para mais de 50 países e possui forte presença de seus produtos nos nichos de embalagens de papelão e papeis finos junto aos setores alimentício e de higiene/limpeza. Sobre o momento delicado causado pela crise, Péricles afirmou que “os tempos difíceis não são momentos isolados, mas uma situação padrão”. Segundo o executivo, os altos e baixos da moeda brasileira, os impactos políticos e econômicos, somados à alta e complexa carga tributária e o excesso de burocracia do Brasil, torna qualquer empresário apto a enfrentar qualquer crise.

No caso da Irani Celulose, que na gênese da pandemia no País [março de 2020] estava lançando oferta de suas ações, precisou analisar os diversos cenários, a fim de garantir liquidez das ações negociadas, rentabilidade dos processos. Druck lembrou que “postura resiliente e sintonia com nosso mercado e investidores”, são importantes para o sucesso da ação que serviu para injetar recursos na Companhia e manter projetos de crescimento e sustentabilidade da empresa, que mantém cinco plantas industriais em atividade, sendo a maior delas na cidade de Vargem Bonita, em Santa Catarina. A Irani Celulose possui capital aberto desde 1977.

Com um setor que já vem enfrentando grandes dificuldades há décadas, ainda mais com a ampliação do mercado calçadista chinês em todo mundo [70% dos calçados são oriundos da China] e a desvalorização do real frente ao dólar, o presidente do Conselho Consultivo da Bibi Calçados, sediada em Parobé, no Vale do Paranhana, Marlin Kohlrausch, descreveu que o planejamento e a organização da empresa, perante a pandemia, se deram por meio de ações pregressas que resultaram em resultados de menor impacto às pessoas, principalmente os funcionários.

“Somos uma empresa com 71 anos de existência, e nossos processos de Governança e Gestão, além da adoção de protocolos de ação transparentes e auditados, nos permitiram enfrentar, de frente, a crise do coronavírus. Uma das frentes tomadas pela Bibi foi a criação de um Comitê de Crise”, disse Marlin Kohlrausch. Os benefícios das MPs 927 e 936, por exemplo, foi uma das políticas adotadas pela calçadista, que pretende recuperar os prejuízos de 2020 em quatro meses, alcançando resultados positivos e estáveis já a partir de março de 2021.

“Nosso foco foi o cuidado às pessoas. Não demitimos ninguém, observamos e acatamos todas as regras sanitárias a fim de preservar vidas. Mantemos nosso relacionamento e obrigações com fornecedores”, descreveu.

Indústria 4.0

Projetos na área da automação e tecnologia também foram antecipados. No caso da Bibi Calçados, que entrou no ramo varejista há mais de uma década, tem atualmente 120 lojas franqueadas, sendo oito delas fora do Brasil. A empresa exporta para mais de 60 países, que compõe cerca de ¼ do faturamento da marca. Segundo Marlin, a Companhia investiu junto à rede de lojas com softwares que facilitam a captação e gestão de dados sobre o consumo e as preferências de cada loja. Uma nova loja, 100% digital, sem contato físico ou presença de caixa, por exemplo, deve ser inaugurada em breve.

Reforma Tributária RS

Assim como a FEDERASUL, Marlin Kohlrausch também é contra o pacote enviado pelo governador Eduardo Leite à Assembleia Legislativa, e que irá onerar todos os gaúchos com o aumento do ICMS e IPVA, por exemplo. Para o executivo “o plano expulsa empresas do Rio Grande do Sul e retirar a competitividade. Essa proposta é, sim, aumento de impostos”, definiu. Tanto Kohlrausch como Druck defenderam ações que visem à redução do tamanho do Estado, além da venda de patrimônio e a privatização de estatais.

Ainda sobre a questão competitividade, o vice-presidente da FEDERASUL e mediador da Live Tá na Mesa, Anderson Cardoso, indagou Marlin Kohlrausch sobre as diferenças de empreender na Bahia, onde a Bibi Calçados tem uma planta industrial, e em Santa Catarina, estado em que a Irani Celulose também possui negócios. “A unidade Cruz das Almas, na Bahia, é um importante case do antes e do depois na região do Recôncavo Baiano. Lá, onde não há tributação exagerada e intromissão do Governo do Estado, a cidade teve uma mudança da água para o vinho. Queríamos que assim acontecesse aqui no RS, mas a cada dia está mais complicado”, definiu Marlin.

Já Péricles Pereira Druck afirmou que “a planta de Santa Catarina é a mais importante da Companhia. Lá os governantes estimularam a industrialização e diminuíram tributos. Fizeram o dever de casa e não viram o empresário como vilão. Isso se reflete no apogeu que vive a economia catarinense”, disse. O vice-presidente Anderson Cardoso defendeu que, para o Rio Grande do Sul crescer, é preciso “reduzir a carga tributária e ampliar a base”, finalizou.

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PUBLICADO EM: 2 de setembro de 2020