Protocolo profissionaliza relação entre empresas e familiares

Da esquerda para a direita: a diretora Administrativa e de RH da Bebidas Fruki, Aline Eggers; a sócia-diretora do Grupo Lins Ferrão/Pompéia/Gang, Fernanda Ferrão; a advogada e membro da Divisão Jurídica da Federasul Eliana Herzog; e a advogada e empreendedora Michelle Squeff. Foto: Itamar Aguiar

Mais do que adotar uma governança corporativa que inclua regramentos sobre a empresa e seu patrimônio, as organizações familiares começaram a apostar no desenvolvimento de Protocolos Familiares. Foi para falar sobre esse novo regramento que o Meeting Jurídico dessa quinta-feira (27) recebeu a advogada e empreendedora, coordenadora convidada do Capítulo Sul do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Michelle Squeff; a diretora Administrativa e de RH da Bebidas Fruki, Aline Eggers; e a sócia-diretora do Grupo Lins Ferrão/Pompéia/Gang, Fernanda Ferrão.

Segundo a advogada, “o Protocolo Familiar é um sistema legal que organiza o trabalho dentro da empresa, criando independência entre o círculo da família, da propriedade e da gestão”. De acordo com Michelle, o documento deve ser feito por membros da família, com o apoio de facilitadores, a partir de uma Governança Familiar. “Mais do que o regramento em si, a parte mais valiosa de se criar esse documento é o processo de amadurecimento da empresa e de discussão, entre os familiares, sobre as regras que farão parte do regimento”, afirmou.

De acordo com a diretora Administrativa e de RH da Bebidas Fruki, Aline Eggers, o protocolo familiar começou a ser instaurado em 2005 na empresa, quando foram estabelecidos critérios para a sucessão, para o ingresso de familiares na empresa, para o consumo de produtos, entre outros. Segundo ela, o desenvolvimento da Governança Familiar serviu também para que os membros passassem a compreender melhor a marca. “Quando amadurecemos enquanto empresa, percebemos que precisaríamos fazer uma revisão do nosso protocolo”, complementou ao frisar que tudo é um processo.

Para Fernanda, o regimento do grupo Lins Ferrão partiu dos valores e das vivências dos membros da família. “Até 2005, não tínhamos um documento oficial. Nós trabalhávamos a governança sem saber que era governança, por conduta ética”, explicou. Segundo ela, de 2005 a 2018, o faturamento do grupo, das Lojas Pompeia e Gang, quase dobrou, a partir da adoção de uma gestão mais profissional. “Toda a diretoria do grupo é familiar, então quando começamos o processo de governança, precisamos separar os ambientes”, concluiu.

De acordo com Eliana Herzog, advogada e membro da Divisão Jurídica da Federação de Entidades Empresariais do Rio grande do Sul (Federasul), que mediou o encontro, o Protocolo Familiar regra papeis, responsabilidades, direitos e obrigações dos sócios, cônjuges, e seus herdeiros e respectivos cônjuges, tornando-se uma maneira eficaz para preservação da harmonia e da economia da empresa familiar.